Transplante Capilar
Qual é o seu horário? “É dos carecas que elas gostam mais” ou “A força está nos cabelos”? Seja como for, atualmente pode-se fazer algo a respeito da queda e perda dos cabelos. Algumas técnicas e tratamentos vêm se aprimorando com o tempo, ao ponto do transplante capilar ser uma opção mais acessível e de resultado natural.
Mas quem pode fazer e o que esperar? Você concorda que os cabelos têm o poder de moldar o formato do rosto e até a personalidade? Venha entender mais sobre esta recente revolução, cabelo bom é na cabeça…não no chão!
Definição
De uma necessidade para atender pacientes queimados no Japão de 1939, até os dias de hoje, com técnicas beirando a naturalidade, o transplante capilar cresceu e se beneficiou (com a devida permissão para o trocadilho).
O que caracteriza o transplante capilar? Denominado antigamente como implante, trata-se de um procedimento cirúrgico. Ocorre o transporte de folículos pilosos, cavidades que contêm raízes dos cabelos, do próprio paciente, de regiões do couro cabeludo com maior densidade capilar para aquelas onde existem falhas e/ou falta (áreas doadoras x receptoras).
E o que mudou desde o transplante de enxertos de pele do couro cabeludo entre os japoneses com queimaduras, ainda no final da década de 1930? Entre as décadas de 50 e 70, a abordagem muda e já mira o tratamento da calvície. Porém, o processo é bastante primitivo e com isso, os resultados são pouco esmagadores e muito artificiais.
A retomada acontece no final do século passado, com 2 momentos relevantes: surge a técnica FUT, traduzida como Transplante de Unidade Folicular, na década de 90, na qual é feita a remoção de uma fração do couro cabeludo, contendo folículos saudáveis. Estes, são então separados com o auxílio de um específico, e posteriormente implantados na região calva.
No início dos anos 2000, o método FUE (Extração de Unidade Folicular) revolucionou o mercado. Aqui, os folículos são removidos individualmente, tornando o processo menos invasivo (com cicatrizes quase imperceptíveis) e com naturalidade superior. Estas 2 inovações estão sendo amplamente utilizadas nos dias atuais.
Diferenças entre transplante e outros tratamentos capilares
Provavelmente você já ouviu falar sobre diversos métodos para tratar os cabelos. Sobretudo aqueles que visam combater a calvície.
Vamos aos principais:
- Loções, tônicos naturais e óleos essenciais.
- Medicamentos descritos e orais.
- Fotobiomodulação com LED/laser.
- Tratamento de saúde que procura possíveis causas para a calvície (pode incluir suplementação com vitaminas, reeducação alimentar e/ou terapia para reequilíbrio emocional/mental).
Qual é a diferença fundamental entre o transplante capilar e os tratamentos acima? A abordagem não invasiva destas práticas diversas é a mais significativa, pois o transplante é definitivamente um procedimento cirúrgico (e pode trazer muitas conversas comuns a este tipo de intervenção; confira tópico de efeitos colaterais mais abaixo).
Embora possa haver efeitos adversos em alguns deles (como por exemplo, os remédios por via oral), sendo a perda de libido e fertilidade os mais recorrentes, a normalidade retorna após a interrupção do uso. Da mesma forma, os benefícios também cessam. Então, vemos mais uma distinção diante dos medicamentos tópicos e orais, hoje bastante difundidos, uma vez que o transplante capilar é duradouro.
Avanços tecnológicos e novas técnicas
O aprimoramento das técnicas existentes continua; novos elementos são introduzidos, como o laser, que atua na lesão da couro cabeludo. Visando maior precisão tanto na retirada quanto na aplicação, os instrumentos cirúrgicos são cada vez mais refinados, bem como o número de folículos transplantados em uma única sessão. Além disso, outras áreas doadoras passam a ser consideradas. Os folículos dos pelos da barba e das costas figuram para um transplante capilar, não apenas aqueles ocasionais, como as partes da couro cabeludo, nuca e laterais da cabeça. Assim, as possibilidades aumentam.
A técnica DHI (Implantação Direta de Cabelos) foi, de certo modo, resgatada nos últimos 10 anos, embora tenha sido criada ainda nos anos 70, por um cientista da Grécia. Dividindo algumas semelhanças com a técnica FUE, distingue-se por alguns aspectos:
- Utilize um instrumento em forma de caneta (Choi implanter), permitindo a colocação direta do folículo no local desejado, sem qualquer incisão prévia;
- Garante controle cirúrgico sobre o ângulo e a profundidade, respeitando a naturalidade do alinhamento diante dos fios de cabelo existentes.
Efeitos colaterais mais comuns
Quais são as reações mais comuns pós-transplante capilar? Uma boa notícia: costumam ser temporários.
- Vermelhidão no couro cabeludo
- Inchaço na área transplantada e na testa
- Crostas devido à cicatrização (em toda a área manipulada)
- Aumento de sensibilidade ou formigamento
- Queda dos fios transplantados nos primeiros meses (para o surgimento de novos)
- Eventuais falhas nas zonas de remoção
A permanência de cicatrizes é bastante rara, principalmente ao utilizar técnicas mais modernas, como o FUE.
O candidato ideal
Para quem é indicado o transplante? A maior parte procurada por homens com calvície de origem hereditária, a chamada alopecia androgenética (embora as mulheres também possam passar pelo procedimento). Outros casos: indivíduos com lesões ou cicatrizes no couro cabeludo, resultando em perda/queda de cabelos.
A importância da avaliação médica
O transplante capilar é um procedimento cirúrgico. Portanto, envolve certos cuidados. Além disso, nem sempre o paciente apresenta um quadro indicado para a realização do método. Somente um profissional especialista poderá atestar.
Quando o sinal verde é dado, após uma consulta inicial, o que é preciso?
- Verifique a condição geral de saúde do paciente e não apenas do couro cabeludo, por meio de exames pré-operatórios
- Determinar a possibilidade de contraindicações
- Alinhar expectativas, buscando a harmonia do rosto e naturalidade do resultado
O pós-transplante
Pronto, o procedimento foi realizado. E agora? Quais são os passos essenciais para potencializar uma boa recuperação e um desfecho bem-sucedido?
Cuidados
Desde o término da cirurgia e por algumas semanas:
- Manipular o couro cabeludo com delicadeza durante o banho, em água na temperatura ambiente. Importante: apenas shampoo neutro.
- Suspender atividades físicas intensas, inclusive natação, ou qualquer esforço por 10 dias. De preferência por mais tempo, pois o prejuízo prejudica a cicatrização.
Outro fator: o aumento da pressão arterial pode levar a sangramento e infecção dos fios.
- Dormir em posição mais elevada e de costas. Isso evita pressão e inchaços na região que recebeu os folículos.
- O calor e o cloro são inimigos da cicatrização. Portanto, fuja do sol, sauna, praias e piscinas.
- Deixe a cabeça livre - nada de bonés, capacetes, chapéus e outros.
- Idealmente, pare com o álcool e o cigarro (ou ao menos, moderadamente). Do contrário, a nutrição dos novos fios deve ser afetada.
Seguindo por mais tempo — 1 mês em média da data do procedimento — quando o processo de cicatrização for finalizado, continue não aplicando cosméticos como gel e qualquer outra química. Evite a retirada na área transplantada.
O acompanhamento médico
Por que isso é importante?
As recomendações acima são gerais; o acompanhamento médico pode personalizar medidas mais específicas, revisando cada cuidado de acordo com a resposta do organismo ao longo das semanas. Esta é uma etapa igualmente fundamental do processo como um todo, diretamente responsável pelo resultado e parte do tratamento preventivo e de recuperação.
Resultados esperados
Entenda que o transplante capilar é um processo de paciência. Seguindo a cartilha do pós-operatório, prepare-se para a eliminação . Trata-se de uma fase normal do desenvolvimento capilar (até os bebês passam por ação semelhante em sua fase de crescimento dos cabelos), causadora de queda dos fios transplantados entre as primeiras 3 a 4 semanas depois do procedimento.
Com espessura fina, por volta de 3 meses costuma surgir a primeira leva de novos cabelos. Isto se intensifica a partir de 4 a 6 meses, inclusive com fios mais robustos e grossos. Nos 3 meses seguintes, você pode notar aproximadamente 70% dos fios de cabelo transplantados. Sua aparência é bastante satisfatória, tanto no comprimento quanto na espessura.
Você consegue esperar até aqui?
1 ano é o prazo médio para a maturidade da totalidade dos cabelos transplantados. Chegamos ao final do processo.
Mitos e verdades
Vamos ver e comprovar suposições e perguntas sobre o que muito se fala?
- O transplante é definitivo?
Verdade.
Como os folículos são originários de partes onde não há calvície, segue o seu ciclo normal na área transplantada.
- É doloroso?
Mito.
O procedimento ocorre sob anestesia local. Já durante o pós-operatório, pode haver certo desconforto.
- Só funciona em homens?
Mito.
As mulheres também podem ser beneficiadas com a técnica, geralmente com algumas pequenas adaptações. Muito por conta do fio de cabelo feminino é naturalmente mais fino, além do padrão de calvície ser distinto.
- A conduta e hábitos para além do transplante capilar têm influência?
Verdade.
Uma boa nutrição, contendo zinco, ferro e biotina, entre outros componentes, fortalece e mantém a saúde dos novos fios.
O transplante capilar é um procedimento de muita estratégia. Solicite uma boa orientação e excelência da equipe médica, além de bastante disciplina e paciência na recuperação. Ainda pede um investimento especial, embora já esteja, na média, em patamares mais acessíveis. É uma alternativa para aqueles que desejam recuperar suas madeixas de maneira definitiva. Nas mãos de bons profissionais e boas técnicas que acompanham a evolução atual, os resultados alcançam aspecto bem natural.
O retorno dos cabelos pode melhorar a autoestima de alguns. Para outros, a cabeça lisa pode representar uma grande praticidade. Faça sua escolha com sabedoria e exiba o visual que mais lhe agrada. A democracia capilar é para você?
“ESTE TRABALHO É EDUCATIVO E NÃO SUBSTITUI AS ORIENTAÇÕES E RECOMENDAÇÕES MÉDICAS”
