DEZEMBRO VERMELHO: Campanha Nacional de Prevenção ao HIV/AIDS
Não se fala muito sobre o HIV e a AIDS atualmente, você percebe? Por um lado, temos um incidente: mostra que aquela preocupante epidemia do fim do século passado foi superada. No entanto, quando o tema deixa de estar em evidência, pode ocorrer um relaxamento natural das pessoas no que diz respeito aos cuidados e formas de prevenção. O índice de casos veio em outono até 2019 no Brasil, mas voltou a subir 17,2% entre 2020-2022, com maior incidência entre os jovens.
Ainda assim, os números não são altos como um dia já foram. Isto pode causar uma falsa sensação de que o perigo não existe mais. Muitas pessoas interromperam o uso de métodos de proteção: cerca de 60% dos brasileiros com mais de 18 anos não usam preservativos durante nenhuma de suas relações sexuais. Pouco mais de 17% utilizam-nos às vezes (Pesquisa Nacional do Ministério da Saúde).
É aí que entra o Dezembro Vermelho. Para fortalecer esta missão, existe o compromisso de informar, contar a história e fortalecer os cuidados. Venha revisar aquilo que é mais relevante ao falarmos sobre HIV/AIDS. Inclusive, com um destaque para a conscientização.
O que é HIV e como é transmitido?
É um vírus que afeta nosso sistema imunológico. Assim, leva o nome do vírus da imunodeficiência humana. Quando não tratado, pode enfraquecer as defesas do organismo a tal ponto que evolui para o estágio denominado AIDS - síndrome da imunodeficiência adquirida. Nesta fase, infecções simples e tornam-se grandes ameaças à saúde, pois o sistema imunológico está bastante comprometido. A transmissão do vírus, via sangue, fluidos vaginais ou sêmen, acontece APENAS nestes casos:
- Relações sexuais desprotegidas, incluindo sexo oral e anal
- Agulhas contaminadas
- Gravidez ou parto, ou seja, da mãe que contraiu o vírus HIV para o bebê
Sintomas HIV/AIDS
É possível não manifestar sintomas por até mais de 10 anos após o contágio. Porém, é provável que o vírus adormecido evolua para a AIDS dentro dessa janela de tempo. Portanto, é muito importante que os testes de laboratório em dia conduzam a um eventual diagnóstico não tardio e previnam a infecção para outras pessoas. Os primeiros sinais (metade dos infectados os percebem dentro de até 1 mês) podem ser bastante semelhantes a uma gripe, como febre, dores no corpo/de cabeça e mal-estar, fadiga, além de inchaço nos gânglios em 3 regiões: pescoço , axilas e virilha.
Quais são outros sintomas possivelmente relacionados?
- Manchas brancas na mucosa bucal, principalmente na língua e aftas
- Feridas pelo corpo
- Perda de peso corporal repentino
- Suor noturno
- Diarreia
- Dor de garganta
- Tosse
- Erupções na pele, geralmente formadas por manchas avermelhadas
- Dores nas articulações ou musculares
Homens e mulheres podem sofrer com dificuldades para urinar, com a presença de um leve corrimento branco ou amarelado apenas no aparelho urinário masculino. Grandes interrupções ou interrupções no ciclo menstrual para não gestantes também podem ser um indicativo de contaminação pelo vírus HIV. Quando a imunidade já está bastante debilitada, é muito provável que uma doença causada pelo vírus HIV, a AIDS, tenha se instalada. Assim, surgem com frequência as infecções e as chamadas doenças oportunistas.
Algumas delas:
- Toxoplasmose
- Pneumonia (por um fungo específico)
- Tuberculose disseminada
- Sarcoma de Kaposi
Tratamentos
Tanto a infecção por HIV, quanto a manifestação da AIDS ainda não apresentam evidências de cura. O foco, há muitos anos, tem sido a redução de sua carga viral. Os chamados coquetéis, no passado, causaram severos efeitos adversos e foram evoluindo, até os atualmente utilizados antirretrovirais, ARV. Este tratamento consegue manter a multiplicação do vírus sob controle no organismo, aumentando a resistência do sistema imunológico. Visa evitar, também, a sua transmissão.
O que mais pode auxiliar no sucesso do tratamento? Descansar melhor, tendo boas noites de sono, exercitar-se e procurar ingerir uma dieta nutritiva regularmente.
Evolução da epidemia de HIV/AIDS no Brasil e no mundo
Em 2022, novas infecções pelo HIV totalizaram 1,3 milhão no mundo. É um número elevado? Sim. Mas comparativamente, mostra uma queda de 59% em relação ao ponto mais alto de contágio da epidemia, lá no ano de 1995 - UNAIDS. Se você acompanhava as notícias, elas não viajavam tão rapidamente como hoje, entre o fim dos anos 70 e o início da década de 80, provavelmente ouviu falar sobre uma doença desconhecida e também por esta razão, bastante letal.
Entre 1977-78, surgiram os primeiros casos nos Estados Unidos, Haiti e regiões da África Central. Por aqui, o primeiro foi em São Paulo, em 1980. Apenas em 1982 o mundo classificou a AIDS, relacionando todos os casos anteriores à doença. Descobriu-se que o contágio poderia ocorrer também via transfusão sanguínea, além do uso de drogas injetáveis e relações sexuais entre homens, como protegido-se exclusivamente à época; a comunidade homossexual foi duramente atingida. O vírus seria isolado e caracterizado um ano depois, no Instituto Pasteur/França, quando também foram catalogados:
- Registros de transmissão heterossexual
- Primeira infecção infantil
- Primeiro caso de AIDS em uma mulher, no Brasil
- Contaminação de pessoas da área médica
Ainda em 1983, os Estados Unidos informam 1.283 óbitos, de 3 mil casos. O Programa da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, pioneiro no Brasil para o controle da AIDS, surge em 1984. O Ministério da Saúde inicia o Programa Nacional de DST-AIDS dois anos depois. O vírus causador da doença é denominado HIV, em 1985. Cria-se o primeiro teste capaz de diagnosticar a presença do vírus no organismo.
Em 1988, a Assembleia Mundial de Saúde e a ONU tornavam-se 1o. de dezembro o Dia Mundial de Luta contra a AIDS. Estes dados entram para o calendário oficial brasileiro, quando havia 4.535 pessoas, supera os 6 mil em 1990, com AIDS. Em 1991, eram 10 milhões de infecções por HIV no planeta (11.805 em nosso país) - OMS. A fita vermelha é eleita como símbolo mundial da luta contra a doença. No ano de 1993, o Brasil contabilizava 16.670 infectados, quando iniciou a produção local do AZT, a principal droga no tratamento da AIDS.
A OMS estima 10 mil novos casos globais todos os dias. Os medicamentos antirretrovirais ganham força ao longo dos anos por todo o mundo, a tal ponto que em 1999, o governo brasileiro anuncia uma redução de 50% nos óbitos e 80% das doenças oportunistas. No fim do século passado, a relação é de 2 homens infectados pelo HIV para cada mulher no país. No Brasil, chegamos a 220 mil casos em 2001, 360 mil em 2004 e 430 mil em 2006. Desde 2010, houve redução de 51% nas mortes associadas à AIDS em todo o mundo. Caiu 56% entre as mulheres e 47% para os homens (ONUSIDA).
Em 2023, o número de pessoas convivendo com o HIV totalizou aproximadamente 39,9 milhões. Desde o início desta epidemia, cerca de 42,3 milhões perderam as suas vidas por doenças decorrentes da AIDS - diante de algo em torno de 88 milhões de contaminações pelo vírus.
A importância da conscientização e da prevenção
O momento da humanidade com o vírus HIV é mais favorável, mas não em sua totalidade. Existe mais compreensão e entendimento sobre como a doença não ocorre no organismo, formas de infecção e métodos preventivos. No entanto, é preciso seguir aquela cartilha de segurança. E não é o que vem comemorando. Na contramão de outros dados, o volume de contágio entre os brasileiros de 15 a 29 anos cresceu 168% na última década (Ministério da Saúde). Uma menor divulgação de informações na mídia e nas escolas pode exercer grande influência nesse resultado.
Vamos recapitular as formas de prevenção?
- Uso de preservativos durante toda a relação sexual: lembrando que o sexo oral também pode transmitir o vírus
- Seringas e agulhas: sempre aplicadas
- Luvas a todo o tempo para os profissionais da saúde: da enfermagem aos centros cirúrgicos
- Seguir um critério rígido de qualidade para coleta, manipulação e transfusão de sangue
- Por último, mas não menos importante: propagar a informação, o que leva à conscientização
Origem do Dezembro Vermelho e seus objetivos
Falando em conscientização, chegamos à campanha mais significativa dos últimos anos no combate à AIDS em nosso país. O Dezembro Vermelho, liderando o Dia Mundial da Luta contra a AIDS, desde 1o. de dezembro de 1988 e sua fita vermelha incorporada em 1991, foi instituída no Brasil em 2017, transferida:
- Prevenção
- Assistência
- Proteção dos direitos humanos dos soropositivos (HIV+)
- Combate ao preconceito
- Promoção da tolerância
Nos seus primeiros anos, uma epidemia de HIV/AIDS trouxe muitas incertezas e temor; descobrir se infectado ou manifestar sintomas e doenças relacionadas à contaminação, traz infelizmente uma sensação automática de despedida diante das pessoas mais próximas. A luta não foi fácil, mas persistimos com o auxílio da ciência, do planejamento, da organização e do acolhimento. Embora ainda não haja uma cura, os medicamentos antirretrovirais têm bastante conforto e qualidade de vida.
Para além do tratamento e muitas vitórias conquistadas, existem as pessoas. Com seus recebimentos e necessidades. Que os equívocos do passado sirvam para levarmos adiante essa corrente vermelha, da cor do amor e do coração. Consciência e responsabilidade nas relações e cuidado com quem precisa.
“ESTE TRABALHO É EDUCATIVO E NÃO SUBSTITUI AS ORIENTAÇÕES E RECOMENDAÇÕES MÉDICAS”